Carta sobre a deflagração de greve dos pós-graduandos da UFPR

Carta sobre a deflagração de greve dos pós-graduandos da UFPR

 

No dia 31 de maio de 2012, nós, estudantes da Pós-Graduação da UFPR, reunimo-nos em assembleia convocada pelo Fórum de Pós-Graduandos e decidimos pela deflagração da greve dos estudantes de Pós-Graduação dessa instituição, bem como apoiar incondicionalmente a greve nacional dos docentes e servidores das IFES. No entendimento da assembleia, a greve não é apenas justa, mas sobremaneira necessária e urgente, haja vista as condições do trabalho docente que de forma concreta e direta afeta tanto a qualidade do ensino como a formação de todos os alunos. Também apoiamos as decisões tiradas na assembleia geral dos estudantes do dia 29 de maio de 2012, assembleia na qual se encaminhou greve estudantil na UFPR.

Aprovamos o indicativo de greve para avançar na mobilização nacional pela garantia de ampliação do financiamento para a educação a fim de reverter o processo de sucateamento e precarização das condições de trabalho e estudo nas universidades, bem como a situação dos programas de pós-graduação que, ao mesmo tempo em que se sujeitam às determinações produtivistas da CAPES, convivem com escassez de bolsas de estudo e recursos financeiros necessários para manter estruturas e condições adequadas de estudo e pesquisa nos programas de Pós-Graduação.

Não bastasse a insuficiência de bolsas para atendimento da demanda dos programas de Pós-graduação, os estudantes também sofrem com a estagnação de seu valor e a inexistência de uma política de assistência estudantil que contemple os pós-graduandos. Além disso, há atualmente na instituição cursos de especialização que são custeados pelos próprios alunos, ferindo o que acreditamos ser próprio da essência da universidade pública, a saber, sua gratuidade.

Por meio da deflagração da greve dos estudantes da Pós-graduação da UFPR aderimos à greve dos docentes, estudantes e técnicos das IFES. Declaramos ainda repúdio a qualquer tipo de assedio moral ou pressão departamental contra a realização das atividades da greve, por mais que não tenhamos o compromisso de paralisar as atividades de pesquisa ou boicotar qualquer atividade proposta por docentes não aderentes à greve.

Diante disso, o Fórum de Pós-Graduandos da UFPR coloca-se à disposição de construir a greve coletivamente com docentes, servidores e estudantes da graduação e conclamamos a inclusão ao movimento local e nacional de greve as seguintes pautas de reivindicações:

 

  • Universalização das bolsas de pesquisa sem redução de vagas e aumento do valor das mesmas, com reajuste emergencial de pelo menos 40%;
  • Política de assistência estudantil que contemple os estudantes da pós-graduação, sobretudo com alojamento, creches e assistência de saúde.
  • Melhores condições de trabalho e infraestrutura, tais como: estruturação das bibliotecas (acervo bibliográfico e espaço físico), wireless, salas de estudos individuais e coletivas, laboratórios de informática, reaparelhamento e criação de novos laboratórios, reforma das salas de aula que estejam em condições precárias e construção de novas, entre outras;
  • Ampliar aos alunos maiores acessos à periódicos e bases de dados para pesquisas;
  • Extinguir as cobranças financeiras dos cursos de especialização, garantindo a manutenção dos mesmos, assim como à assistência de bolsas para estes estudantes.
  • Revisão dos critérios da CAPES e do CNPq, com extinção da lógica produtivista a partir de amplo debate entre a comunidade acadêmica;
  • Garantia, através do aumento de verbas, das condições financeiras para a realização adequada das pesquisas e projetos desenvolvidos por alunos de pós-graduação.

Nossas pautas são profundamente ligadas com a luta dos estudantes da graduação, professores e técnicos. Muitos graduandos serão pós-graduandos e muitos pós-graduandos serão professores. O produtivismo da CAPES e do CNPq e a necessidade de melhoria da infraestrutura afetam a todos. A greve só será vitoriosa se conseguir superar as divisões existentes entre os setores que compõe a universidade!

A greve é a melhor ferramenta de mobilização, assim como um caminho para a melhoria da universidade pública, em seus diferentes aspectos sociais.

 Assembleia dos estudantes da pós-graduação da UFPR,

Curitiba, 31 de maio de 2012.

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